HCM amplia serviço para incentivar a amamentação
HCM amplia serviço de orientação a mães que desejam amamentar os filhos; Agosto Dourado incentiva o aleitamento materno, no embalo do aumento de 240% na média anual de doação O mês de agosto leva a cor dourada, em alusão à amamentação – o leite materno é considerado o melhor alimento para bebês de até 2 anos de idade, e idealmente deve ser o único oferecido às crianças de até 6 meses de vida. Para celebrar o período, o Hospital da Criança e Maternidade (HCM) passou a oferecer atendimento remoto após a alta hospitalar para mães que estejam com dificuldade no processo, com teleconsultas com profissionais especializados para orientar e solucionar dúvidas. Por meio da iniciativa, mães que moram longe, por exemplo, continuam tendo acesso a informações seguras e ao acolhimento que começa já no hospital. Quando necessário, pode ser feito o retorno presencial. Nos últimos cinco anos, o número médio de atendimentos mensais às mães cresceu 275%, saltando de 291 em 2020 para 1.093 em 2024. Além disso, o volume de leite humano coletado anualmente passou de 202 litros para 684 litros no mesmo período, um aumento de mais de 240%, reflexo direto do engajamento das mães e do fortalecimento das políticas de incentivo à doação. O pequeno Bernardo, filho da engenheira civil Ramaiane Cristina Honório Moreira, de 34 anos, nasceu prematuro, com 29 semanas de gestação, e ainda está hospitalizado. Graças à orientação da equipe do HCM, a mãe está conseguindo amamentar o filho exclusivamente. Bernardo tem 39 dias de vida e deverá ir para casa nos próximos dias. “Cada graminha que ele ganha é uma felicidade minha, porque é fruto do nosso trabalho em conjunto. Para mim é muito gratificante saber que meu leite o sustenta e faz ele evoluir tanto”, afirma Ramaiane, que está inclusive conseguindo ser doadora de leite. A intenção dela é manter a amamentação no peito pelo menos até 1 aninho de Bernardo, e depois continuar tirando seu leite e dando na mamadeira – isso porque daqui a alguns meses, ela voltará a trabalhar presencialmente. “Meu marido e minha rede de apoio também foram muito importantes porque me incentivaram. Nós sabemos que não existe alimento melhor para o recém-nascido que o leite materno.” A médica neonatologista Marina Lania Teles, da UTI Neonatal do HCM, diz que as orientações sobre amamentação começam ainda na sala de parto – mesmo nos casos de prematuros, como Bernardo. “Nos casos em que o bebê fica com a mãe no quarto existe uma equipe treinada para acompanhá-los, com pediatra, enfermeira, fonoaudióloga e um Grupo de Amamentação que ajuda mesmo após a alta”, descreve. Nos casos em que o recém-nascido está na UTI, também existe uma equipe treinada e um posto de coleta de leite, para que as mães ordenhem o leite e mantenham a produção, com o alimento sendo dado ao filho, até que o pequeno possa ir ao seio materno. Dificuldades: Ao contrário do que se acredita, amamentar não é um processo natural e sem nenhum percalço. Pode doer na mãe e até haver problemas como pega inadequada, sangramento, empedramento das mamas e mastite. Além do HCM, outros hospitais com maternidade oferecem orientações para quem tiver qualquer tipo de dificuldade. Os convênios médicos também têm este serviço. Em Rio Preto, o apoio completamente gratuito e disponível para todas as residentes da cidade é o Banco de Leite Humano. Para agendar uma orientação, basta entrar em contato com o telefone (17) 3214-3422. Benefícios do aleitamento: O aleitamento materno aumenta a imunidade, reduz infecções e o risco de morte por elas, aumenta a inteligência, melhora a fala e o desenvolvimento da face e da dentição, reduz doenças na vida adulta – como obesidade -, além de ser um alimento específico para cada bebê. Quando uma criança pequena fica doente, por exemplo, a “fórmula” do leite materno muda, ajudando inclusive na recuperação. “Devemos tratar a amamentação como um forte auxílio na saúde pública”, acredita a especialista. A pediatra Gabriela Marcatto cita que a amamentação está relacionada a diversos benefícios às mães, como a redução de doenças como câncer de mama e ovário e diabetes tipo 2, além de estimular as contrações uterinas, para que o útero retorne ao tamanho normal após o parto, e diminuir o risco de depressão pós-parto. O otorrinolaringologista Adriano Reis também percebe a diferença que o aleitamento materno faz na vida dos pequenos pacientes. “Ajuda no desenvolvimento adequado das estruturas faciais, favorecendo a respiração nasal e a deglutição correta. Já crianças que não são amamentadas diretamente no peito tendem a apresentar mais casos de respiração bucal, dificuldades de deglutição e alterações na musculatura orofacial”. Amamentar o bebê é uma forma poderosa de estimular a criação do vínculo entre mãe e filho. “É fonte de vínculo, amor, carinho, aconchego e memória afetiva”, diz Gabriela. “Não se deve realizar nenhum procedimento nas mamas durante a gestação, como passar cremes na aréola e mamilo ou usar bucha vegetal”, conclui a pediatra. (MGB) Fonte: https://www.diariodaregiao.com.br