Dia Nacional de Combate ao Câncer: por que essa data importa para todos nós

O que é o Dia Nacional de Combate ao Câncer

No Brasil, o Dia Nacional de Combate ao Câncer é lembrado em 27 de novembro. A data foi instituída pela Portaria do Ministério da Saúde GM nº 707, de dezembro de 1988, com o objetivo de mobilizar a população para os aspectos educativos e sociais no controle da doença, especialmente a prevenção e o diagnóstico precoce.

Mais do que uma data no calendário, é um convite coletivo para falar abertamente sobre câncer, combater o medo com informação de qualidade e reforçar que, em muitos casos, é possível prevenir, detectar cedo e tratar com sucesso.

O cenário do câncer no Brasil hoje

O câncer é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo e no Brasil. Trata-se de um conjunto de mais de 100 doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado de células que podem invadir tecidos e órgãos e se espalhar para outras partes do corpo.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano no triênio de 2023 a 2025. Entre os tipos mais incidentes, destacam-se:

  • Câncer de mama em mulheres
  • Câncer de próstata
  • Câncer de cólon e reto
  • Câncer de pulmão
  • Câncer de estômago
  • Câncer do colo do útero

Projeções indicam que, se nada mudar, o Brasil pode se aproximar de 1 milhão de novos diagnósticos de câncer por ano até 2040, impulsionados pelo envelhecimento da população, mudanças no estilo de vida e fatores ambientais.

Os números impressionam, mas eles também mostram algo importante: há espaço para agir. Parte desses casos poderia ser evitada com medidas de prevenção e hábitos mais saudáveis, além do acesso a serviços de saúde e exames de rastreamento.

Fatores de risco que podemos mudar

Alguns fatores de risco não podem ser controlados, como idade e predisposição genética. No entanto, uma parcela significativa dos casos de câncer está associada a fatores que podem ser modificados ao longo da vida. Entre eles:

  • Tabagismo: ainda é um dos principais responsáveis por vários tipos de câncer, em especial o de pulmão.
  • Consumo excessivo de álcool: associado a câncer de boca, laringe, esôfago, fígado, mama, entre outros.
  • Alimentação rica em ultraprocessados, gorduras saturadas e açúcares, com baixa ingestão de frutas, legumes e verduras.
  • Sedentarismo e excesso de peso: a falta de atividade física está ligada ao aumento do risco de diversos tipos de câncer.
  • Exposição excessiva ao sol, sem proteção adequada, aumenta o risco de câncer de pele.
  • Exposição a agentes químicos e ambientais em determinados ambientes de trabalho ou moradia.

Ao mesmo tempo, existem fatores de proteção que reduzem o risco: manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regular, não fumar, evitar o consumo abusivo de álcool, proteger-se do sol e manter as vacinas em dia (como a vacina contra o HPV e contra a hepatite B, relacionadas à prevenção de alguns tipos de câncer).

Prevenção e diagnóstico precoce na prática

Falar em prevenção não é apenas repetir recomendações genéricas. É traduzir isso em ações concretas no dia a dia:

1. Cuidar do corpo e da rotina

  • Fazer atividades físicas regulares (caminhadas, dança, esportes, subir escadas, movimentos simples no trabalho e em casa).
  • Priorizar alimentos “de verdade”: frutas, verduras, legumes, grãos, carnes magras, evitando ultraprocessados.
  • Não fumar e buscar ajuda para parar, quando necessário.
  • Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.
  • Usar protetor solar, chapéu e roupas adequadas em exposição ao sol.

2. Fazer exames de rotina e rastreamento

O diagnóstico precoce é decisivo para aumentar as chances de cura. Em muitos casos, quando o câncer é identificado em estágios iniciais, o tratamento é menos agressivo e com mais possibilidades de sucesso.

Entre as estratégias de rastreamento adotadas no Brasil, conforme diretrizes do Ministério da Saúde e do INCA (que podem variar conforme idade, sexo e histórico familiar), estão:

  • Rastreamento do câncer de mama (mamografia em faixas etárias recomendadas).
  • Rastreamento do câncer do colo do útero (exame preventivo/Papanicolau).
  • Investigação de sangue oculto nas fezes e outros exames indicados para câncer de intestino, conforme avaliação profissional.
  • Acompanhamento médico em caso de sinais e sintomas persistentes, como perda de peso sem causa aparente, sangramentos, caroços, lesões na pele que não cicatrizam, alterações no hábito intestinal, entre outros.

É fundamental reforçar: somente profissionais de saúde podem indicar os exames certos para cada pessoa, levando em conta idade, histórico e condições de saúde. Em caso de dúvida, a orientação é procurar uma unidade de saúde, de preferência o serviço de referência do SUS.

Aspectos sociais, emocionais e direitos do paciente

Combater o câncer não é apenas tratar o tumor. É também:

  • Oferecer apoio emocional para pessoas em tratamento e suas famílias.
  • Garantir acesso à informação clara sobre diagnóstico, opções terapêuticas e efeitos colaterais.
  • Lembrar que o paciente tem direitos no SUS e na rede suplementar, incluindo acesso a tratamento oncológico, medicamentos e acompanhamento multiprofissional, de acordo com a legislação vigente.

Campanhas como o Dia Nacional de Combate ao Câncer ajudam a reduzir o estigma, dar visibilidade à causa e fortalecer a cobrança por políticas públicas, estrutura adequada de atendimento e suporte aos profissionais que atuam diretamente com pacientes oncológicos.

Como cada pessoa pode fazer a sua parte

O Dia Nacional de Combate ao Câncer é uma oportunidade para atitudes muito simples, mas poderosas:

  • Informar-se em fontes confiáveis, como o site do INCA e canais oficiais de saúde.
  • Conversar com familiares e amigos sobre prevenção e importância dos exames de rotina.
  • Incentivar quem está em tratamento, oferecendo escuta, acolhimento e ajuda prática.
  • Apoiar iniciativas e campanhas locais em hospitais, sindicatos, associações de pacientes, escolas e empresas.
  • Se você é profissional de saúde, reforçar orientações sobre fatores de risco, sinais de alerta e direitos dos usuários.

Mais do que uma data, 27 de novembro nos lembra que câncer não é apenas um número de estatística: são vidas, histórias, famílias e comunidades inteiras impactadas. E justamente por isso, cada gesto de prevenção, cada exame feito na hora certa e cada palavra de apoio fazem diferença.

Cuidar hoje é uma forma concreta de salvar vidas amanhã.

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